A Embaixada da França no Brasil iniciou, em fevereiro de 2003, um programa de cooperação no setor de economia solidária. No intuito de fomentar a discussão sobre turismo solidário no Brasil, a Embaixada promoveu uma reunião de trabalho em Brasília, no dia 04 de julho de 2003. Este evento reuniu atores de diferentes projetos desta natureza no país, além de representantes de organismos públicos e outras entidades de apoio. Naquela oportunidade, foram apresentados os projetos e as instituições presentes, identificadas experiências inovadoras e discutidos meios para desenvolver este setor. O potencial para a ampliação desta proposta no Brasil ficou evidente.
Dando seqüência a esta discussão, sete projetos brasileiros – Prainha do Canto Verde (Ceará), Acolhida na Colônia (Santa Catarina), Ecoporé (Rondônia), Palmatur (Ceará), Parque Regional do Pantanal (Mato Grosso do Sul), Aldeia dos Lagos (Amazonas) e Bordados da Caatinga (Piauí) – representaram o País no Fórum Internacional de Turismo Solidário – FITS, em Marseille/França, de 25 a 30 de setembro de 2003, com o apoio da Embaixada da França no Brasil.
No intuito de continuar a discussão sobre turismo solidário no Brasil, a Embaixada promove nova reunião de trabalho em Brasília, nos dias 24 e 25 de novembro de 2003, II Encontro de Turismo Solidário com o objetivo de:
* Avaliação da delegação brasileira quanto a participação no FITS;
* Discutir a criação da Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário;
* Definir agenda de trabalho para 2004;
* Propor ações visando a cooperação internacional
A partir desses encontros o grupo demonstrou seu interesse em permanecer em contato para trocar experiências e contribuir para o debate sobre o turismo solidário nacionalmente. Com o objetivo de incentivar a reflexão sobre os efeitos do turismo e de consolidar os empreendimentos de turismo solidário já existentes no Brasil, em 2003 nasce, informalmente, a Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário – TuriSol. A rede se caracteriza pela união de diversas organizações no Brasil que desenvolvem projetos de turismo solidário e que buscam, através da união e troca de experiências, fortalecer as iniciativas existentes e despertar outras comunidades para a construção de um turismo diferente.
De 2003 a 2007 nenhuma das organizações vinculadas à rede assumiu a centralização para a execução de ações já que todos tinham bastante trabalho com o desenvolvimento do próprio projeto e consequentemente não houve captação de recursos para a realização de tais ações.
Neste período alguns dos projetos que participaram das discussões iniciais deixaram de ser ativos na área, outros expandiram suas ações como o projeto Acolhida na Colônia, Prainha do Canto Verde, Instituto Terramar e ainda, alguns outros, criaram ou consolidaram ações de turismo comunitário nesse período, demonstrando interesse em continuar a discussão do turismo comunitário no Brasil, como é o caso do Projeto Bagagem, do Projeto Saúde e Alegria, do Grãos de Luz e Griô e da Cooperativa de Pais e Amigos da Casa Grande.
Em 2007 a Ashoka Empreendedores Sociais definiu como uma de suas linhas de interesse, a identificação de empreendedores sociais, ou seja, pessoas que lideram projetos sociais, na área do turismo comunitário e nomeou como fellow as empreendedoras Cecilia Zanotti do Projeto Bagagem e Thaise Guzzatti da Acolhida na Colônia, que passaram a compor o grupo de fellows de turismo comunitário no Brasil junto aos empreendedores René Scharer da Prainha do Canto Verde e Francisco Alemberg da Fundação Casa Grande.
Com o apoio da Ashoka Empreendedores Sociais e Fundação Artemísia, os 4 projetos citados acima, fortalecidos com a presença do Instituto Terramar, da ONG Grãos de Luz e Griô que sediou o encontro e do Ministério do Meio Ambiente, realizaram em novembro de 2007 um Encontro de Turismo Comunitário para retomar a consolidação da Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário. Nesse encontro os projetos compartilharam resultados e objetivos comuns, discutiram a carteira de projetos de turismo comunitário do Ministério do Meio Ambiente, deram continuidade às filmagens do vídeo de turismo comunitário no Brasil, discutiram o planejamento estratégico do Projeto Bagagem e definiram os passos seguintes para a consolidação da rede.
Ao mesmo tempo, o Ministério do Turismo demonstrou interesse pelo assunto pela primeira vez e chamou para uma reunião os projetos Acolhida na Colônia, Projeto Bagagem e Fundação Casa Grande, em 24 de outubro de 2007 para discutir uma proposta de criação da rede brasileira de turismo comunitário com o Instituto Virtual do Turismo da UFRJ, junto com os Ministérios do Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário.
Como a rede já existia, como mostra o histórico acima, o Ministério do Turismo decidiu, no lugar de apoiar a criação de uma nova rede, lançar em 4 de junho de 2008 um edital para chamada de projetos de Turismo Comunitário.
Alguns membros da Turisol se articularam para uma inscrição organizada da rede, cada um coordenando uma ação, como pode ser conferido na página Ações, compondo assim o plano de trabalho da Turisol.